Caros Leitores,
Vejo vejo, o que você vê?
Talvez meu silêncio e preguiça sejam mais expressivos do que sair por aí gritando loucamente.
A vida mansa não faz bem para minha saúde mental. Preciso de dinamismo, de trabalho de gente gritando comigo dizendo que precisa enviar coisas pra mulher da Vogue pra ontem.
Estou em crise de abstinência de emprego. Meu vício é deixar de pensar na minha vida pra viver meu trabalho. E essa vida de magnata não foi feita para mim.
Por outro lado, porque não sou herdeiro de um império para que eu pudesse governar?
*Liga o Age of Empires, Civilization, Sim City, Final Fantasy, The Legend of Zelda e deixa de fazer a barba por quinze dias*
Guilherme.
Friday, 4 July 2008
Caros Leitores,
Na vida sempre vai ter aquela pessoa que cumpre o papel de dizer aquelas frases que todo mundo já cansou de ouvir e que não auxiliam em Porra nenhuma em momentos de advenças. Entre as tais frases:
Acontece com todo mundo:
Claro que todo mundo vomita num bar na frente de 14567421248746 pessoas e claro que qualquer pessoa troca de roupa escondidamente em um estacionamento sem se tocar que tinha gente olhando na janela do prédio ao lado... É reconfortante ouvir que seu problema devia desaparecer, porque "acontece com todo mundo".
Na próxima você recupera
Tudo bem que você tirou zero se matando de estudar, mas sempre tem algum ombro que realmente acredita que na próxima prova milagrtosamente a matéria vai estar em seu cérebro de maneira que você consiga a nota necessária para passar.
Você acha um emprego melhor
Depois de seis meses trabalhando que nem um cão, ou procurando emprego, fazendo entrevistas, quando numa situação de desemprego sempre soltam essa. Pode ser que você tenha que vender balinhas no sinal pra sobreviver, mas vai ser melhor, você vai ver.
O Importante é competir
Quem sofre de falta de coordenação motora como eu deve ter ouvido essa mais de 5254567237 vezes. e nunca surte o efeito esperado.
Não era pra acontecer
É, aquela vaga dos seus sonhos não era pra ser sua... Aquela mulher legal, bonita, inteligente também não está no seu destino. O que é seu está guardado. Guardado bem longe do seu alcance, trancado à sete chaves, e o chaveiro está perdido. Acho que era melhor apontar pra pessoa e dizer "Ha-ha se fude-ô!"
Pior para ela (e)
Frase clássica dos que tomam toco. Claro que foi você que tomou o pé na bunda porque provavelmente a outra pessoa tá numa melhor, mas foi pior pra ela. É com certeza absoluta. Existe ainda a variante "Ela não te merece". Ah sim, ela me deu um pé na bunda porque eu sou bom demais pra ela. Eu acredito, vou ali ficar com a Gisele Bundchen depois dessa.
Tudo vai ficar bem
Aham. então porque não ficou ainda hein hein? Parece até que um dia vai ser final de novela na vida das pessoas...
As pessoas de bom coração conquistam o que merecem
Infelizmente, essa frase não é verdade. Senão crianças não morreriam e pessoas não seriam passadas para trás por canalhas. Ou vai ver você é como eu, e por mais que se foda como um bonzinho tem um mal coração.
Onde eu consigo um transplante?
Guilherme.
por G.W. at 09:12
Thursday, 3 July 2008
Caros Leitores,
Juro que eu sofro de algum grau de autismo. Poderia discorrer sobre os mais variados sintomas hipocondríacos que me levariam à essa conclusão, mas o mais visível é o senso de humor descontrolado que me faz rir loucamente com situações que outras pessoas considerariam banais.
Obviamente eu ainda não cheguei em níveis astronômicos, como meu amigo que caiu no chão ao ver o vídeo do fantoche que não tinha pé. Mas eu sou culpado por ter rido descontroladamente nas seguintes situações:
"Meu celular está estranho, fez pi-pi-pi o negócio e ele nunca tinha feito pi-pi-pi assim antes!"
Essa frase me rendeu risadas por horas a fio. As pessoas na mesa do bar em que isso aconteceu me olhavam com uma cara de "esse menino é mongol?" e eu não conseguia parar de rir. Uma cena deveras sexy.
"Estefano, você quer mais refrigerante?"
Não bastasse eu rir alucinadamente com frases alheias, eu rio das minhas próprias peripércias infelizes. Simplesmente repeti a frase acima até a exaustão amolando meu irmão mais novo. O problema é que eu gargalhava tanto antes de auferir a sentença que ele sabia o que estava acontecendo.
"Shed, no shed. Shed. Executive Shed look it has curtains!"
Tudo bem que foi engraçado no momento em que a amiga da minha irmã fez essa gracinha num trem da europa. Me rendeu duas semanas de risos retrógrados quando lembrava da cena.
"Marco? Maaaarcoooo? Maaaaaarcooo?"
Quando eu ainda era um cidadão que trabalhava e contribuía para a elegância da classe mais alta da sociedade mundial, existia um colega de trabalho impossível de se encontrar ao telefone. Eis que uma colega de trabalho solta o nome dele dessa forma. Em casa eu não conseguia parar de soluçar ao lembrar da cena.
Ao ler este texto pode parecer bem normal e aceitável rir dessas situações. O que eu concordo, mas o problema é que eu ria contínuamente e quase sem respirar por pouca coisa. Da mesma forma é normal eu não rir em momentos que as pessoas morrem de rir ao meu redor.
Quando eu fui assistir o filme das piranhas porém elegantes, eu ria nos momentos errados e as mulheres ao meu redor se comovendo com as cenas que deveriam ser de tristeza queriam me assassinar.
Da mesma forma, o filme "O Orfanato" foi uma das melhores comédias do ano a meu ver, e já vi vários blogs dizendo que esse filme trash é assustador.
Enfim, autista ou não o importante é que emoções eu vivi.
Hipocondriacamente,
Guilherme.
por G.W. at 10:27
Wednesday, 2 July 2008
Tuesday, 1 July 2008
Caros Leitores,
O problema é quando de Live and Learn passa pra Love Fool.
Aí só Losing My Favorite Game pra esquecer, porque Erase and Rewind não dá.
Musicalmente,
Guilherme
por G.W. at 20:18
Caros Leitores,
As idéias pipocam na cabeça. Mas ainda falta muito pra comer pipoca enquanto assisto os sonhos virarem realidade.
Até porque não vende pipoca em padaria.
Esfomeadamente,
Guilherme
por G.W. at 15:57
Monday, 30 June 2008
Caros Leitores,
É com ar triste e saudosista que eu venho escrever essa carta. Eu ando me sentindo um cretino em relação aos meus amigos. Tudo porque eu virei um egolátra que enxerga apenas seu umbigo, seus problemas e não se importa com quase nada que acontece com a vida alheia.
Eu digo isso mas não consigo encarar a realidade que envolve um dos meus melhores amigos. O tempo foi cruel com aquele amigo de infância de campeanatos de futebol de botão, tráfico de filme pornô e playboys da Scheila Carvalho escondido dos pais, de jogar paredão na garagem estragando a pintura do prédio, brincar de salada mista com as vizinhas argentinas que andavam de calcinha pelo prédio.
Ao longo dos anos as vidas antes sempre ligadas foram se distanciando. Eu mudei de colégio, ele começou a dançar forró, e eu não consigo coordenar meus passos com o barulho da zabumba, e é um saco ir no forró só pra olhar e ver as meninas forrozeiras rirem da minha cara quando eu tiro elas pra tentar aprender a dançar.
Ele foi pra longe, eu também. Ele namorou uma menina que engravidou do ex, eu namorei uma menina que fingiu estar grávida. Por mais que estivéssemos longe, sempre estávamos aí. Dividindo os problemas e fazendo churrasco e feijoada de vez em quando.
O que me assusta hoje em dia é perceber que ele que tinha uma vida bem mais estável que a minha, uma cabeça bem mais formada, com uma sólida base familiar e um grupo de amigos unido, está um pouco perdido e desamparado. Os amigos sumiram quando os problemas apareceram e a base familiar acabou se dissipando geograficamente.
Psicologicamente ele não está legal, fisicamente também não... Aceitar essa realidade é difícil para mim. Não faz muito tempo eu olhava para a vida dele como um exemplo do que eu queria para a minha vida.
Eu penso no que eu posso fazer para ajudar, para consertar, mas nem tudo é fácil, especialmente considerando a situação... Eu quero ser egoísta e dizer que quero meu amigo bem de novo... Quero que ele melhore e volte a ser o exemplo que eu tinha. Que eu possa contar meus problemas e ser o "amigo errado e azarado, mas que conta piada direito e rouba descaradamente no carteado".
É pedir muito?
Monstruosamente,
Guilherme
por G.W. at 21:06
Sunday, 29 June 2008
Caros Leitores,
Outro dia estava em casa à tarde quando chegou um bando de gente querendo ouvir verdades e mentiras. O fato é que eu estou mais do que cansado de divagar sobre minha vida desinteressante.
Daí eu peguei o violão e comecei a tocar.
As pessoas foram embora em menos de cinco minutos.
Musicalmente,
Guilherme.
por G.W. at 10:42
Thursday, 26 June 2008
...Descontinuando...
Caros Leitores,
Desde sempre meu gosto musical não é exatamente normal. Normalmente devido à possível autismo aumentado por hipocondria psiquiátrica eu fico com uma música favorita na mente e no ouvido durante alguns dias. E depois não consigo ouvir por um tempo.
Acredito que isso acontece com muita gente uma vez que as músicas mais pedidas da época são repetidas incessantemente até que a galera encha o saco. O fato é que quando eu fico deprê eu sempre acho umas músicas dor-de-cotovelo pra tocar enquanto eu dirijo para o farol deitado na minha cama pensando ser um inútil sem futuro (sim, toda vez que eu fico deprê eu penso ser um inútil sem futuro, ninguém me ama, ninguém me quer, personagem principal de folhetim mexicano sofre menos do que eu).
Eis que desta vez para curar a dor da perda de algo que nunca tive (/emo.) surge uma música mais animada.
I live and I learn do Cardigans.
A melhor música pra curar dor de cotovelo existente. Em um dia e meio eu quase não lembro que ninguém me ama, ninguém me quer, que eu sou um nada sem futuro. E sem tomar dois litros de sorvete de flocos ou comer uma caixa de bombons Alpino.
Acho que estou preparado pra fase da cerveja.
And hell yes I lived.
Guilherme.
por G.W. at 07:18
Monday, 23 June 2008
Continuação...
Eis que chegou então o dia de buscar o tal cachorro. O dono no entanto não tinha dito para meu colega de trabalho que o apartamento dele estava em obras e que o cachorro teria que se hospedar na minha casa enquanto as obras não acabavam. Não tinha problema, era mais uma oportunidade de chamar a moça em questão para meu apartamento.
Chegando na casa do dono o barulho de obra era ensurdecedor. Ele vinha com o cachorro na mão já. Um vira lada que se assemelhava à um Doberman de pelo branco com uma cara que era uma mistura de Bull Terrier com Doberman. Apesar do visual robusto o cachorro parecia bem comportado.
Ele me deu um folheto com instruções e disse adeus para o "Rex". Na hora em que ouvi o nome do cachorro tive que segurar o riso.
Tudo bem, lá vou eu com o cachorro até minha casa sem maiores problemas. Coloco jornais velhos no chão da minha área, uma tigela com água, outra com ração, pego uma cerveja e vou assistir televisão.
Dali a dois minutos o Rex aparece com a coleira na boca e olhando para a porta. Eu penso que ele quer se aliviar. Obviamente eu não queria meu apartamento com cheiro de urina de cachorro, pego um saco plástico e saio.
Eis que ele resolve correr no parque me puxando desordenadamente. Isso seria normal, se ele não estivesse se aliviando enquanto corria, me deixando numa cena hilária de sendo puxado pela coleira e desviando dos dejetos do cachorro. Não bastasse isso uma velinha estava à nossa frente desorientada e a coleira presa em meu pulso e o cachorro ainda se aliviando. A cena em questão ficou em câmera lenta enquanto eu tentava soltar a coleira, desviar da velinha sem sujar meus tênis novos e pensar que eu teria que recolher toda essa sujeira com o saco plástico depois que finalmente pudesse colocar aquela máquina de cocô ambulante parado quieto em um canto.
Obviamente na hora que eu me soltei da coleira estava quase batendo na velinha, me desviei e acabei esbarrando em outra pessoa.
Quando consigo ver quem estava presenciando a cena mais hilária da face da terra eu entro em choque. Era ela.
- Continua.
por G.W. at 08:38