Saturday, 2 January 2010

Caros leitores,

Em 2010, até segunda ordem, esse blog continua aqui:


Mudando aos poucos,

Guilherme



Thursday, 31 December 2009

Caros Leitores,

O ano que vem já é amanhã. E será um ano aterrorizante. Tem gente que vai nascer, gente que está muito mal e pode morrer. Tem aquela chance remota da minha vida decolar, ou de eu ter que escolher abandonar a minha família de novo, ou a minha felicidade. Ou ambos.

Esse ano pra muita gente vai ser apenas um ano qualquer, pra outros, será um ano inesquecível, inigualável.

Traumas virão, problemas, soluções. A gente perde, a gente ganha. 365 dias de 24 horas apenas. Tempo o suficiente pra esquecer quanto tempo estamos perdendo.

Espero que 2010 seja o ano em que o mundo possa seguir seus ideais. Em que o tempo seja desperdiçado em sorrisos, e que as lágrimas necessárias sejam superadas.

Espero que o stress da maturidade seja infantilizado. E que o mundo continue girando.

Só sei que queria acordar amanhã um pouco menos destruído do que hoje.

Mexicanamente,

Guilherme.

Sunday, 27 December 2009

Meus amigos,

Muito Obrigado por tudo, essa saudade toda que eu tenho é em grande parte culpa de vocês, assim como minha constante sensação de que falta sempre alguém ali. Ao longo dos anos fui muito feliz em encontrar gente fantástica que jamais pensei que pudessem ser amigos de um cara tão mala quanto eu.

Síndrome de nerd excluido na escola eu diria, mas tenho grandes amigos do tempo de colégio, incluindo os mais populares da escola, o que faz com que essa afirmação não seja verdadeira.

Posso passar anos sem ver alguns de vocês, ou posso me irritar diariamente com suas personalidades, mas não existe história na minha vida sem a presença de vocês. A infinidade de piadas internas, assuntos exclusivos e lembranças guardadas fazem grande parte da minha personalidade, assim como tudo que eu aprendi (ou desaprendi) com cada um de vocês.

Posso ir pra longe, posso até me ver sozinho numa cidade com 11 milhões de pessoas, mas vocês sempre vão estar lá comigo.

Muito Obrigado,

Guilherme.

Saturday, 26 December 2009

Caros Leitores,

Fugir pra onde?

Sabe aquele porto seguro, aquele quartel general, o lugar onde a segurança existe? Não tem.

E quem sabe um lugar de liberdade, onde é permitido ser quem se é, sem receber julgamentos cruéis, apenas aproveitando os dias? Acabou.

O ponto de partida de um novo caminho, os alicerces da construção da sua casa, aquela esperança de acabar construindo um dos pontos de fuga acima? Em falta.

É, ser prisioneiro de si mesmo dá nisso.

Guilherme.

Friday, 25 December 2009

Caros Leitores,

De vez em quando aquela velha visão adolescente rebelde resolve aparecer, e eu enxergo todos como pessoas que não tem quase nada em comum trancadas no mesmo recinto. Enxergo os grandes problemas do passado, as diferenças, as brigas. Reconheço cada um dos defeitos, e cada uma das personalidades difíceis presentes. Debocho de ações e me sinto agredido verbalmente e socialmente.

De vez em quando eu fico com essa miopia tola de me sentir um peixe fora d'água. Como se ali não fosse meu lugar, sem saber o que dizer, o que fazer. Sem ter ninguém pra conversar de verdade naquela sala tão cheia de pessoas. Tenho pavor de que descubram que sou uma fraude, que todos os elogios que me fazem são infundados e que na verdade sou apenas um cara vazio.

Mas, existem aquelas vezes em que são nítidos os laços que nos prendem. Não apenas os laços genéticos no nosso DNA compartilhado, mas os laços históricos detalhados de cada um. As mesmas brigas e os mesmos problemas, são cercados de momentos e pequenos detalhes felizes. As qualidades de cada um ficam mais evidentes, e as diferenças se tornam admiração. Os sorrisos preenchem o silêncio, e os reencontros destroem a saudade. Falta, sempre. Aqueles que já não vivem mais, e aqueles que não podem ou não querem aparecer. Mas de certa forma, eles continuam por ali. Amarrados nessa organização tão fechada chamada família.

Genealógicamente,

Guilherme

Thursday, 24 December 2009

Caros Leitores,

Ela entrou no carro, dirigiu e no primeiro sinal vermelho acendeu um cigarro. Se o rádio estava ligado, não era importante, nem de onde estava vindo ou para onde ia. Naquele momento, parada naquele sinal era apenas ela, o motor do carro e as tragadas do cigarro.

Aos treze anos escondida nos corredores de um prédio em São Paulo que ela começou a se viciar, tanto no cigarro, quanto nessa onda de se apaixonar. E hoje, ela se livrou de todos os vicios de maneira tão eficiente que hoje em dia seus colegas de trabalho a chamam de piranha mal-comida de tão chata que ela é.

Ela ri da ironia de ser chamada de piranha mal-comida. Porque ela adoraria ser piranha e ser mal-comida é melhor do que não ser comida at all.

Mas ela não pensava em nada, além do sinal vermelho e do seu cigarro. O resto do mundo, não existia.

Desintoxicadamente,

Guilherme

Wednesday, 23 December 2009

Caros Leitores,

Nada mais massante do que essas semanas de pré-natal. Quando se é criança ainda existe toda aquela esperança de conseguir ganhar o castelo de Lego, um Mega Drive ou um cachorrinho. Mas na temível vida dos semi-novos, é tudo muito chato.

É amigo oculto da empresa, da pós graduação, caixinha de natal dos funcionários do prédio, dos funcionários do prédio do escritório, dos manobristas da garagem do estacionamento...

É mandar os cartões de natal comerciais, receber e-mails ruins com mensagens melosas, ligar pra parentes distantes...

É presente pra sogra, pra sobrinha mimada, pro cunhado mala. É fazer compras de natal pela primeira vez na vida, porque sua namorada inventou de cozinhar o almoço do dia 25 em casa apenas para os 17 amigos mais próximos, e não, macarronada nem feijoada são aceitáveis no dia de natal, muito menos pizza ou comida chinesa.

O dia de natal nem é tão ruim assim, pelo contrário. Mas toda essa pressão social e comercial anterior, é de estressar até mesmo quem até aprecia a época.

Saturadamente,

Guilherme

Tuesday, 22 December 2009

Caros Leitores,

Dos verbos de ligação os que eu menos aprendi a conjugar são "permanecer" e "continuar".

Me parece que sempre uso o "andar" para ligar as frases que compõem meus parágrafos, mesmo que seja "pra frente" ou "pra trás". "Estar" fica sempre num estado temporário, provisório, até que a minha mente migre para qualquer outra decisão tomada sem muita reflexão...

Esses verbos de ligação esquecidos numa gramática antiga do saudoso ginásio acabam é desligando cada vez mais as minhas raízes. Mas, se o português não ajuda tanto assim na criação da minha história, ainda bem que existem geografia, matemática e biologia para compensar essa ausência.

Descoordenadamente,

Guilherme.

Monday, 21 December 2009

Caros Detetives,

Gostaria de ter um botão que desligasse meus pensamentos por tempo indeterminado. Acredito que esse meu hábito de pensar demais não é muito saudável.

Muita gente diz que procura o auto-conhecimento. Uma coisa que não me interessa nada é conhecer mais de mim mesmo. Eu mesmo me acho insuportávelmente chato e sem graça. Entendo perfeitamente as pessoas que me rotulam da mesma forma.

O que eu não entendo, os motivos de quem insiste em falar da minha vida. Gente que nem me conhece direito! Se existissem fatos relevantes para servirem de fofoca, eu entenderia, afinal me achando tão enfadonho quanto acho, entendo o fascínio que as pessoas possuem pelas vidas alheias. Mas nem isso acontece por aqui.

Esse grande nada que circunda minha existência é a grande novidade no meu dia a dia. Esse vazio é o grande mistério. Quais são as novidades, onde vou estar daqui a cinco anos, tudo bem? As respostas são sempre iguais, e sem profundidade.

Por isso, pergunto o que vocês ganham investigando esses detalhes chatos. Qual a graça, o propósito? Favor me contar, porque até agora, não encontrei nada que seja tão importante assim para merecer toda essa investigação minuciosa.

Obrigado,

Guilherme

Sunday, 20 December 2009

Caros Leitores,

Desistir é um ato de coragem muitas vezes.

Guilherme.