Sunday, 29 November 2009

Caros Leitores,

Se existe uma ação neste mundo que ainda me impressiona é o altruísmo. A capacidade de ajudar outros sem ganhar nada em troca. Gostaria muito de ser assim, mas não sou.

O egoísmo e o orgulho talvez só não sejam vícios maiores do que a minha covardia e fobia social. Fobia social na verdade é um elemento que rege minhas ações mais do que qualquer outro.

Essa incapacidade de agir, de pensar que eu sou normal como todo mundo me deixa imóvel às vezes. E a falta de vontade de interagir com pessoas também. De vez em quando eu considero todas as pessoas ao meu redor vazias, sem exceção, apenas para segundos depois perceber que o vazio, sou eu.

E então eu vi um cara cair da moto, e eu lá, parado, sem ação. Poderia ter ajudado, perguntado se estava tudo bem, mas esperei que outros o fizessem. Não sei o que se passou pela minha cabeça, mas eu não fiz nada.

Depois fui embora, sentindo remorso, falta de solidariedade, logo eu que fui tão ajudado por estranhos quando precisei? Hipocrisia... Mas, ainda bem que existem pessoas que não agem como eu nesse mundo. É por causa delas que muita coisa boa acontece...

Covardemente,

Guilherme

Saturday, 28 November 2009

Caros Leitores,

Quando eu vejo as fotos dela a primeira coisa que me vem na cabeça é a certeza que ela sempre teve em relação ao trabalho que ela realiza. A paixão e o brilho nos olhos dela quando ela contava sobre as diferentes teorias, práticas e momentos, sobre os planos, os estudos, como ela se sentia importante fazendo o que ela amava.

Ela não é a única, ao meu redor é maior o número de pessoas que está feliz com sua profissão, mesmo que muitas vezes infelizes em relação às empresas que trabalham... E eu, não.

Talvez seja apenas a empresa para qual eu trabalho que me deixe nessa incerteza, mas já trabalhei para uma empresa que eu adorava, mas que meu trabalho não era nem um pouco do meu interesse.

O fato é que em mais um aspecto da minha vida eu não tenho a menor idéia do que eu quero. Caminhando para a casa dos 30 ainda completamente instável em relação ao trabalho e nem vou comentar os problemas nos campos familiares.

Mas, tudo que eu posso fazer, é o que eu sempre fiz... Seguir em frente. Sem dinheiro no bolso, mas caminhando por aí... Até achar um lugar pra ficar, ou até não poder caminhar mais...

Guilherme.

Friday, 27 November 2009

Caros Leitores,

Tem dias em que eu realmente me pergunto se vale a pena todo esse meu esforço. Porque o retorno do investimento é quase nulo. Tem dias que a vontade que eu tenho é de jogar tudo pro alto. Mas aí me pergunto, jogar tudo pro alto pra fazer o quê?

Não ter nada a perder, eu não tenho. Mas eu também não tenho nada a ganhar na minha concepção... Já fui, já voltei, mas sempre acabo aqui, nessa imensidão de possibilidades irreais.

O que me irrita é que quem diz que tudo vai dar certo, que o que é meu está guardado, nunca sabe o que dizer quando isso não acontece.

Despretenciosamente,

Guilherme.

Thursday, 26 November 2009

Caros Leitores,

Um dos piores sentimentos que existe é a culpa. Essa sensação de que você prejudicou alguém ou que deixou na mão quando precisavam de você. Pior ainda, é quando nos sentimos culpados por não ter feito algo que não prometemos que faríamos.

Recentemente isso aconteceu comigo. Eu carrego minhas culpas mais do que deveria. Se as pessoas me prejudicam, eu esqueço rápido, agora quando eu piso na bola com alguém, pode ter certeza que eu não vou me esquecer tão rápido assim...

Por quê? Eu não sei. Não gosto de pensar que alguém está irritado ou chateado comigo, principalmente se for algum amigo meu. Mas, como todos eu erro, e peço desculpas.

Mas ainda não aprendi muito bem a desculpar a mim mesmo.

Culpadamente,

Guilherme

Wednesday, 25 November 2009

Caros Leitores,

Várias pessoas me dizem que eu tenho que parar de me depreciar frente ao mundo. E eu estou começando a perceber que elas tem razão. Parte do meu complexo de inferioridade acaba minando meus relacionamentos quando eu me apaixono de verdade.

Normalmente eu acredito que eu não sou um cara bom o suficente para elas, e isso acaba me deixando meio down. Isso porque quando eu me apaixono por alguma mulher, eu percebo o quanto ela merece ser feliz, e ter tudo do bom e do melhor.

Sendo realista, vejamos minha situação: abaixo da faixa de riqueza, porte físico estranho, voz chata, personalidade irritante, família problemática, falta de coordenação motora. Tão logo, minha percepção é que não me enquadro na categoria "tudo de bom e do melhor".

Mas por isso mesmo, quem sou eu pra dizer o que é melhor para as mulheres pelas quais me apaixono?

Resolvi não me preocupar (tanto) com isso. Em ser mais confiante, e acreditar que se elas estão comigo é porque elas enxergaram algo que vale a pena do lado de cá da tela.

Ou elas precisam de um par de óculos.

Complexadamente,

Guilherme

Tuesday, 24 November 2009

Caros Leitores,

Quando eu tinha onze anos achava que seria legal ter um Mega Drive e morar num prédio que tivesse mesa de ping-pong para fazer reuniões com meus amigos. Aos treze anos, achava que o legal era ter play no prédio, para as festinhas americanas com trilha sonora de Funk Melody onde as meninas levavam um prato de comida, nós meninos o refrigerante, e as brincadeiras de verdade ou consequência eram o prato principal da reunião.

Aos dezesseis anos o legal era sair pra matinês em danceterias, ou viajar para a Região dos Lagos no carnaval. Na faculdade popularidade era encher uma festa de bebida alcóolica e ir nos congressos quase sem assistir palestras.

Hoje em dia todas essas fases se misturam. São jogatinas de wii regadas à alcóol onde as meninas levam comida e os meninos levam bebida na região dos Lagos e depois partir pra alguma pista de dança...

Será que vai ser sempre assim?

Espero que sim...

Contínuamente,

Guilherme

Monday, 23 November 2009

Caros Leitores,

Tem dias em que a saudade de Londres é atordoante. Os lugares, as pessoas, a comida, a música. Mas principalmente as possibilidades que Londres proporciona para seus residentes.

É uma ilusão que o custo de vida é alto, em toda cidade grande é, mas o poder de compra lá é muito maior do que aqui no Brasil. Viajar para europa, áfrica e ásia é muito mais barato, assim como aparelhos tecnológicos, roupas e móveis.

Se paga menos impostos, e segurança e saúde são garantidos pelo governo. Informação é praticamente grátis, alguns jornais e revistas são distribuidos aos transeuntes e principalmente entrada de museus são gratuitos...

Os restaurantes e baladas não são tão caros, os shows não são tão inacessíveis...

Num aspecto consumista, o Brasil ainda é muito caro.

Mas, aqui tem uma vantagem grande no momento: é a minha casa, são as minhas raízes. Se vou permanecer aqui, só o tempo pode dizer, mas só sei que enquanto estiver por aqui, aproveitarei ao máximo...

Saudosamente,

Guilherme

Sunday, 22 November 2009

Caros Leitores,

Outro dia comentei que estava vendo 500 dias sem ela (500 days of Summer) quando ocorreu o blecaute deste mês. Vou comentar sobre uma frase importante na trama do filme, portanto se vocês não viram o filme e não querem ter sua percepção da trama estragada por esse post, sugiro não continuar a leitura.

Em determinado momento do filme, a mocinha diz pro protagonista que se casou com outro cara porque "quando o conheceu nunca teve as dúvidas que teve quando namorava o protagonista", ou seja, ela não gostava de verdade do principal do filme.

Essa triste e dura conclusão acontece frequentemente. Já estive na situação do cara do filme e é avassaladora. Mas, recentemente me vi numa situação idêntica a da protagonista.

Antes de vir pra SP, estava saindo com uma menina (vamos chamá-la de Bárbara), mas estava interessado mesmo em outra (vamos chamá-la de Helena).

Bárbara me sufocava, ela gostava mesmo de mim, deixava isso transparecer em sua possessividade e no planejamento do "nosso" futuro. Obviamente isso me deixava sufocado e querendo escapar o mais rápido possível, por mais legal que ela seja. Eu me sentia mal quando ela tentava controlar pequenas coisas da minha vida, e quando ela perguntava para onde estávamos caminhando.

Já Helena, eu permitia que controlasse, escolhesse e até encorajava. Estava interessado em saber onde o caminho levaria. A química do relacionamento era ótima e tudo fluia com facilidade, só por um problema, minha mudança de cidade (e estado).

Quando ouvi a frase da Zooey Deschanel no filme, obviamente me coloquei no lugar do cara, lembrando de como é ruim ser deixado de lado ou gostar de uma mulher que não gosta de você. Mas, depois percebi que isso é algo natural e que eu já estive nos dois papéis...

Achei que fosse ficar deprimido dias por causa de uma frase, mas não, pelo contrário... Já estou conformado com a realidade, e entusiasmado com um novo começo...

Cinematográficamente,

Guilherme

Saturday, 21 November 2009

Caros Leitores,

Recentemente pude entrar mais em contato com o universo dos milionários brasileiros. Aprendi muita coisa, cheguei a frequentar a casa de uma dessas famílias com mais dinheiro do que o necessário, vários empregados numa mansão decorada por designers de revista numa comunidade fechada.

Gostei muito da experiência, por se tratar de uma família normal, pessoas normais, que não deixaram o dinheiro subir à cabeça (ou ao menos não transpassaram isso).

Mas, a verdade é que eu vi a vida de milionário, e percebi que eu não quero ter uma dessas casas de revista. Pelo contrário. Percebi que uma casa gigante mais parece um museu do que uma casa. A grandiosidade acaba gerando espaços ociosos, e a casa linda fica lá, vazia.

Pro meu futuro eu quero uma casa de verdade. Dessas que as pessoas sentam na mesa de jantar pra conversar, que as festas são pequenas, mas divertidas. Dessas que você percebe que tem alguém ali, diariamente andando e utilizando aqueles cômodos.

Conseguindo isso eu já estou feliz. E deixo as mansões e os designers, para as revistas interessantes, porém longe da realidade.

Minimalísticamente,

Guilherme

Friday, 20 November 2009

Caros Leitores,

O blecaute da semana passada foi notícia no mundo inteiro e afetou a vida de muita gente por algumas horas. Foi o primeiro blecaute que aconteceu quando eu não estava em casa, mas no cinema assistindo 500 dias sem ela (que merece um post em breve).

Quase no fim do filme as luzes se apagam todas, mas o gerador nos permitiu assistir o final da sessão. Na volta pra casa percebemos que não era apenas no shopping que a luz havia se apagado, mas na cidade inteira.

A eletricidade, tão importante nos dias de hoje, no dia-a-dia passa desapercebida, sua importância não muito apreciada, mas quando ela não está lá, as pessoas ficam diferentes. No blecaute as pessoas conversam com outras nas ruas, tomam mais cuidado ao dirigir seus carros, percebem a falta de segurança. Sem energia elétrica, as pessoas conversam sob a luz de velas. Se perguntam o que está acontecendo, ficam numa sensação diferente, a rotina foi quebrada e cria uma ansiedade.

Lembrei do meu comercial favorito, de uma operadora de celular inglesa que se trata exatamente de um blecaute em Nova York, com a música da Joanna Newsom ao fundo, explica exatamente essa sensação de quebra de rotina, de um mundo sem eletricidade...

"Sometimes things need to switch off for people to switch on"



Desligadamente,

Guilherme