Friday, 25 December 2009

Caros Leitores,

De vez em quando aquela velha visão adolescente rebelde resolve aparecer, e eu enxergo todos como pessoas que não tem quase nada em comum trancadas no mesmo recinto. Enxergo os grandes problemas do passado, as diferenças, as brigas. Reconheço cada um dos defeitos, e cada uma das personalidades difíceis presentes. Debocho de ações e me sinto agredido verbalmente e socialmente.

De vez em quando eu fico com essa miopia tola de me sentir um peixe fora d'água. Como se ali não fosse meu lugar, sem saber o que dizer, o que fazer. Sem ter ninguém pra conversar de verdade naquela sala tão cheia de pessoas. Tenho pavor de que descubram que sou uma fraude, que todos os elogios que me fazem são infundados e que na verdade sou apenas um cara vazio.

Mas, existem aquelas vezes em que são nítidos os laços que nos prendem. Não apenas os laços genéticos no nosso DNA compartilhado, mas os laços históricos detalhados de cada um. As mesmas brigas e os mesmos problemas, são cercados de momentos e pequenos detalhes felizes. As qualidades de cada um ficam mais evidentes, e as diferenças se tornam admiração. Os sorrisos preenchem o silêncio, e os reencontros destroem a saudade. Falta, sempre. Aqueles que já não vivem mais, e aqueles que não podem ou não querem aparecer. Mas de certa forma, eles continuam por ali. Amarrados nessa organização tão fechada chamada família.

Genealógicamente,

Guilherme